Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

Ser mãe é sem dúvida dos momentos mais marcantes e bonitos na vida de qualquer mulher…

 

Rita foi mãe aos 23 anos, o nascimento da Margarida foi um momento único e maravilhoso, quem já passou por esta experiência entenderá o que sentiu, quando aos fim de muitas horas de trabalho de parto, lhe depositaram nos braços aquele ser pequenino, muito engelhado com imensas marcas resultantes das horas que decorreram entre o inicio das contracções e o nascimento, para Rita era o bebé mais bonito do mundo, o seu menino Jesus, Margarida nasceu na noite de Natal, pouco depois da meia noite.

Margarida foi crescendo, relativamente saudável, aparte aquelas pequenas viroses próprias de todas as crianças, Rita procurou dar à filha todo o amor e atenção que nunca teve da sua mãe, Rita ainda hoje não se lembra de um único beijo da mãe, de um carinho de uma palavra de incentivo ou apreço em qualquer situação da sua vida, aliás costuma dizer na brincadeira, para esconder dos outros a profunda magoa que isso lhe provoca, que teem uma incompatibilidade congénita.

Rita acompanhou a infância a entrada na escola o prosseguimento de estudos, tentando estar sempre presente, mas permitindo à filha o seu espaço próprio fundamental ao seu desenvolvimento e crescimento como ser humano. Como foi sempre uma mãe presente, Margarida considera Rita como uma amiga, uma irmã mais velha, com quem partilha o seu dia a dia.

Margarida cresceu tornou-se mulher, desinibida, simpática, com um grande grupo de amigos, muitos dos quais cresceram juntos com ela e que consideram Rita uma amiga também uma vez que se habituaram ao convívio quase diário. Rita tentou dar à filha toda a liberdade, com alguns limites claro, que nunca teve, sempre a deixou sair com amigos, participar em todas as actividades em que ela pretendia participar, acompanhando umas vezes mais perto outras de longe para deixar o tal espaço que todos precisam de ter para crescer.

Margarida começou a namorar, um rapaz do circulo de amigos embora mais velho, tudo corria bem, Rita sempre conversou com a filha sobre tudo, tendo-a acompanhado na altura que achou própria a uma consulta com uma médica para um acompanhamento profissional na sua educação sexual, quando um dia Margarida chega a casa com o namorado e com algum receio e creio que alguma vergonha, diz a Rita que está grávida, embora o seu coração de mãe já tivesse adivinhado o que a filha lhe ia dizer, pela sua maneira de falar, foi com algum choque que recebeu a noticia, afinal Margarida só tinha 19 anos, mas passado o primeiro impacto o apoio de Rita foi de novo incondicional, foi com alegria que procurou ajudar e estar presente nesta nova etapa da vida da filha e na sua própria vida afinal Rita ia ser avó.

Foi com muito carinho que se preparou o nascimento deste novo ser pequenino que vinha a caminho, que se compraram roupinhas, os biberões as fraldas todo o enxoval bem como a decoração do quarto e num dia de Maio nasceu uma menina pequenina linda o ai Jesus dos pais avós e de todos os que gostam de Margarida, o pequenino ser é um motivo de alegria para todos.

O tempo vai passando já lá vão quase três anos, a vida continua, Margarida concretizou um dos seus sonhos que era trabalhar na sua área de formação, ligada a crianças. O facto de ter sido mãe muito nova e de ter de assumir responsabilidades de uma casa, uma filha e agora um novo emprego, tiraram-lhe é claro muitas das liberdades que tinha anteriormente, teve de trocar muitas das actividades anteriores por outras mais calmas de modo a acompanhar a filha, as saídas a noite, passaram a ser menos frequentes, embora sempre que seja necessário Rita fique com a pequenina para libertar um pouco os pais, para que possam continuar a fortalecer a relação e continuem a ter alguma vida social.

Mas ultimamente Rita sente que a sua menina a sua Margarida não anda muito bem, anda arisca, agressiva até algumas vezes, sempre a correr de um lado para o outro, anda distante sempre a procurar não ficar a sós com ela como que a fugir de uma conversa mais séria, Rita sente neste momento alguma dificuldade em lidar com a sua menina, sente que algo não está bem sem saber exactamente o que a preocupa.

Rita está neste momento angustiada como mãe, o seu coração sente que algo não está bem, sabe que Margarida precisa da sua ajuda, mas não está a conseguir comunicar, não quer pressionar mas sabe que tem de fazer alguma coisa para ajudar a sua menina a ser de novo a jovem alegre que sempre foi.

Os filhos são realmente uma, senão a maior alegria e bênção na vida de uma mulher, mas é bem verdade o antigo ditado de “filhos criados trabalhos dobrados”, enquanto são pequeninos e os levamos debaixo da nossa asa, é tudo tão simples, conforme o tempo vai passando eles vão crescendo criando as suas próprias asas, aprendendo a voar sozinhos tudo se complica, fica mais difícil o acompanhar o aconselhar.

A Rita confidenciou-me estas preocupações por estes dias, espero sinceramente que ela consiga comunicar com Margarida e consigam as duas voltar a sorrir, como sempre fizeram. Rita tem consciência que ajudou o melhor que soube, ou da forma que achou melhor, Margarida a ganhar as suas próprias asas e que agora ela tem de voar muitas vezes sozinha para construir o seu próprio caminho, mas o seu coração de mãe está angustiado.

 

Ser mãe é uma aprendizagem diária, constante, é um exercício complicado mas aliciante, é um caminhar a par dos nossos filhos, atentas para poder ajudar e apoiar na altura certa, vendo que cometem erros muitas vezes mas eles fazem parte do crescimento também, não se podem tirar todas as pedras do seu caminho…sei que se Rita pudesse tiraria todas as pedras e dificuldades do caminho de Margarida, mas não pode…

 

Beijinhos

Ana



publicado por devaneiosmeus às 16:51
Meu Deus Ana, que história linda!!!
Apetecia ler mais e mais...
Adorei, como adoro e tu sabes a tua forma de escrever, da forma como falas dos sentimentos, da preocupação com os outros...
Espero que a Rita uma vez mais consiga chegar à Margarida e ajudá-la no que ela precisar. Vamos ter esperança que sim.
Bjokas mt gandes
Madalena
apenasMadalena a 20 de Abril de 2007 às 14:19

Tudo vai ficar bem de certeza mas sabes como é...preocupações de mãe.
Bjinhos miga, brigado pela força
Ana

Olá Ana. Gostei desta historia. Espero q a Rita consiga ter a tal conversa séria q precisa de ter c a filha. Eu tb sei o q é isso de "filhos criados, trabalhos dobrados". O meu (c 17 anos) ta c uma depressao e é dificilimo lidar c ele, pq ora ta bem ora ta mto mal (e são mais as vezes q ta mto mal).

Bjocas

Joana
Joana a 20 de Abril de 2007 às 14:44

É Joana sei que compreendes todas as Ritas, quem é mãe sabe que as preocupações são uma constante.
A margarida tem sido uma filha ótima nunca deu grandes motivos para preocupação, por isso a estranheza de rita nesta fase, mas irá passar concerteza, uma boa conversa e tudo será esclarecido, conversar, desabafar faz bem...
Bjinhos
Ana

O que é engraçado é ler hoje isto.. a coincidência ;) Mas isso é outra história.

Quanto à preocupação da Rita, talvez o que se passe com a Margarida seja uma fase má, em virtude de ter sido mãe demasiado jovem,. sentiu-se privada de alguma liberdade, das coisas que gostaria de fazer mais veze. E isso pode explicar a irritação da jovem mãe, e obviamente, a rita é que está ali para ela descarregar em cima, sendo que apanha com tudo em cima. penso que com compreensão, carinho e paciencia vão acabar por resolver isto. Com tempo, com maturidade. Gostei.
Bjs e bom fim de semana
Morgaine a 20 de Abril de 2007 às 19:35

Olá!
É engraçado realmente ler-mos em determinadas alturas algumas coisas, tb as vezes me acontece quando ando por aqui a cuscar o que se escreve, esncontrar textos com que me identifico e são exatamente o adequado ao momento que estou a viver...mistérios, coincidências...
Tens razão é de certeza uma situação passageira e com calma tudo acabará por passar.
Brigado pela visita
Bjinhos
Ana

Talvez como homem não consiga alcançar o sentimento de uma mãe pelos seus filhos, li com muita atenção este post e espero com sinceridade que tudo se resolva para estas duas pessoas, duas mulheres unidas por laços fortes, talvez os mais fortes que existem no mundo.. beijoca
lovenox a 23 de Abril de 2007 às 16:29

Obrigado pela tua visita ao meu cantinho!
Tudo se resolverá naturalmente, a relação que teem é forte e sólida saberão concerteza ultrapassar esta fase menos boa
Bjinhos
Ana

Ser mãe deve ser isso mesmo, evitar que os filhos se magoem, evitar o sofrimento, amar acima de qualquer coisa que os filhos possam fazer... Ainda não sei o que isso é, mas sei o quanto é bom ser-se filha da minha mãe!

FlordeLis a 23 de Abril de 2007 às 18:55

Ser mãe é sem dúvid tudo o que referiste, um dia saberás concerteza....e como digo no texto se as mães pudessem tirar todas as pedras do caminho dos filhos de certeza que o fariam...do que conheço de ti deves ser uma boa filha, de certeza a tua mãe tb se orgulha de te ter como sua menina.
Bjinhos
Ana

Olá Ana
Adorei ler-te e como sou mãe entendi perfeitamente o k Rita sente. Tb eu quero ter uma relação com a minha filha como a que a Rita tem com a Margarida ou seja na base de uma amizade profunda. Tudo se há-de resolver entre elas talvez seja só o facto de tudo se ter passado tão depressa e a Margarida está agora um pouco assustada (mas isto é só a minha opinião).
Muitos beijinhos para ti e adorei ler-te.
Ana
xucarita a 17 de Maio de 2007 às 10:24

Olá Ana!
Obrigado pela tua visita, volta sempre.
Quanto ao que escrevo é o que me vai no coração nos diferentes momentos da minha caminhada...os filhos crescem e as Ritas deste mundo, que sei me entendem, gostariam de continuar a proteger os seus filhotes, tirar cada uma das angustias e pedras do seu caminho, mas não se pode, até pq as pedras fazem parte das lições de vida que ajudam ao crescimento de cada um como ser humano, cabe nos acompanhar auxiliar estar atentas e esperar sem pressionar nada, as Margaridas sabem que as Ritas estão sempre lá quando precisam, foi nesta base que eduquei a minha...ela sabe...e a Rita sabe que a Margarida voltará a ser a menina alegre que sempre foi, agora com uma Madalena pequenina para acompanhar também, o amor entre mãe e filha é incondicional...sei que me entendes pq tb és mãe.
Já visitei os teus cantinhos autenticos hinos a este amor de que falo.
Bjinhos
Ana

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