Sexta-feira, 30 de Março de 2007

Rita uma menina, que nasceu e viveu até ao 12 anos numa aldeia da região saloia, teve uma infância nem sempre muito calma, mas isso serão outras histórias, Rita gostava de caminhar, subir a um monte alto na aldeia ouvir as velas dos moinhos, escutar os murmúrios que o vento arrancava ao passar, pareciam contar segredos…o pai tinha de aluguer uma terra onde semeava uma pequena horta, Rita adorava deitar-se no meio das ervas na Primavera, fazer raminhos com as flores silvestres que nasciam ao acaso, para depois oferecer.

 

Um dia por motivos de trabalho os pais mudaram-se para outra aldeia esta um pouco maior, Rita ficou um pouco perdida, aqui não tinha os moinhos, não conhecia os campos, por ser uma menina tímida teve alguma dificuldade em fazer amigos, mas com o tempo e até porque tinha mais uma irmã, esta mais extrovertida, lá se foi integrando, chegou a adolescência, o liceu, tudo continuava por vezes complicado, Rita nunca teve uma relação fácil com a mãe e com o avançar da idade a tomada de consciência de certas situações, as coisas por vezes não eram muito fáceis.

 

Por volta dos 17 anos Rita conheceu o António, tinham amigos comuns, este um rapaz na altura com 25 anos, um sonho, era o que ela sempre sonhara, divertido, extrovertido, inteligente, ele pouco reparava nela, afinal ela era uma rapariguinha meio tímida…

Estavam no verão vieram as festas da aldeia começaram a sair no mesmo grupo de amigos, os bailaricos a noite, as trocas de olhares, os pequenos toques quase sem querer, o primeiro beijo, inesquecível, Rita nunca tinha sentido os lábios de um rapaz, foi algo de sublime que a fez pairar nas nuvens durante o resto do verão, António era o seu namorado, mas, o verão terminou…António tinha tido em tempos uma namorada mais velha e voltou para ela, Rita ficou destroçada, o mundo de sonho em que tinha vivido afinal era mentira, o tempo ajuda a cicatrizar as feridas, que remédio afinal ela só tinha 17 anos, mas António ficou gravado para sempre no seu coração, foi o seu primeiro amor, o seu primeiro beijo…

 

Rita seguiu a sua vida, António a dele, um dia tinha ela 22 anos apareceu a Isabel, amiga comum, que lhe disse;

-Rita o António está de novo sozinho, mas não tem coragem de te procurar sente que não se portou muito bem contigo, podíamos sair todos juntos de novo, ele gosta de ti, podias tentar reatar o vosso namoro.

- Não posso não, Isabel, vou-me casar, agora já não pode ser.

 

Rita casou, teve filhos, António casou-se entretanto também, teve filhos igualmente, foi para longe, estiveram anos sem se verem, entretanto reapareceu, tinha-se separado, parecia que a anterior alegria tinha desaparecido, com o desenrolar do tempo passaram a conviver mais, afinal os amigos são comuns…António voltou a casar e novamente a separar…Rita continua a sua vidinha de casada, sem nunca esquecer …quando os olhos de ambos se encontram, quem está por perto e sabe do que se passou sente que ambos estremecem, que desviam o olhar à pressa…o tempo passa, tudo cura, mas nunca se esquece o primeiro amor…

 

Esta história de Rita e António tem mais de trinta anos…e aconteceu mesmo, acontece todos os dias…

 

Bjinhos

 

Ana

 

 



publicado por devaneiosmeus às 14:53
Olá, cheguei até aqui não sei como, mas comecei a ler o texto e a cada linha que lia sentia uma emoção muito grande, acredite que me emocionei...
Beijinhos

cintia
cintia a 30 de Março de 2007 às 18:27

Obrigado pela visita e pelo comentário, esta é a história de alguém que apesar da idade continua a ser uma incurável romantica a lembrar cada pedacinho da sua história de vida, e se a Cintia se emocionou a ler, acredite que ao escrever me emocinei também muito.
Volte sempre

Bjinhos
Ana

Tens imensa razão. O meu primeiro amor já cá não anda... preferiu outra 'heroina'.

Beijos mil em tu :)
Lobaaaaaaaaaaaaaaa a 30 de Março de 2007 às 19:33

Sabes que independentemente de quem as vive as histórias relacioonadas com as primeiras vivências de cada um, nos marcam para sempre...

Bjinhos
Ana

Quantas Ritas e Antónios não haverá por ai fora, ñ é verdade?
Penso que no fundo todos teremos uma história idêntica...uma história que nos faz sorrir ao pensar no nosso primeiros amor...primeiro amor que sei que a ti te marcou bastante, ñ é verdade? Nesse aspecto eu diria que sou mais sortuda, ainda hj passados 30 anos continuo com o meu primeiro amor... Coisas da vida, que ninguém sabe explicar...
Adorei esta história, levou-me uns anos atrás, em que td era tão mais simples e sincero.
Bjokas mt gandes para ti e que sejas sempre feliz, tu mereçes.
Madalena
apenasMadalena a 2 de Abril de 2007 às 09:02

É miga existem de certeza muitas Ritas e Antonios por este mundo fora, nem todas as histórias teem um final feliz como a tua...esta história marcou a Rita para toda a vida, mas é uma recordação bonita, doce, até porque continuam amigos, se encontram algumas vezes e mesmo sem falar no que passou, ambos guardam com carinho bonitas recordações...
Bjinhos
Ana

Nao me chamo Rita, mas existe sempre pontos em comum nas historias de amor de cada um de nós...

FlordeLis a 2 de Abril de 2007 às 12:14

Claro que existem pontos comuns em qualquer história de amor , afinal o amor é um sentimento lindo abrangente e mesmo que as historias não tenham um final feliz, serviram como enriquecimento pessoal...a vida é uma aprendizagem constante e amar faz parte integrante dela.

Bjinhos
Ana

Sabes Ana, apesar de ultimamente nao te ver pelo meu blog, sei que cada vez que comentas é com sentimento e gosto que o faças independentemente de ser apenas aqui no teu. Apenas gostava de te ver por la de vez em quando...
(Estou muito lamechas hoje, deve ser das musicas que estou a ouvir... )

Eu passo no teu blog diariamente o não comentar foi uma opção que tomei uns tempos atrás, em que andei um pouco em baixo e comentar me fazia ficar ainda mais lamechas do que sou normalmente, e olha que sou pessima, ando sempre de lagrima no olho, felizmente o pior já lá vai, essa tua fase menos boa irá passar também, a vida é mesmo uma luta constante...
Prometo que irei comentar, gosto do que escreves da forma como transmites as emoções, revejo-me muitas vezes nos teus textos.
Bjinhos
Ana

Gostei da história verdadeira...é bonita está bem escrita, parabéns ao autor. Uma boa Páscoa
cindamoledo a 6 de Abril de 2007 às 18:17

Obrigado pela visita a este cantinho em que procuro trnasmitir um pouco da minha forma de ser e sentir.
volte sempre que o desejar
Bjinhos
Ana

Olá
Eu tb já fui a Rita e tb já tive um António que infelizmente seguiu a sua vida e eu a minha. Mas qd nos vemos o mundo para pq quer digam ao contrário o primeiro amor nunca se apaga....
Beijinhos e continua e a escrever pois identifico-me mto com a tua escrita.
Ana
xucarita a 17 de Maio de 2007 às 10:28

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