Segunda-feira, 27 de Novembro de 2006

Todos temos recordações, memórias de um tempo que passou e por muito que o desejemos não volta.

Por vezes penso que a minha vida não tem tido muito interesse, que tem sido uma vida meio vazia ao sabor do tempo sem grandes emoções ou coisas para contar, gostaria de ter estudado mais, de viajar mais, compenso com as minhas leituras, adoro ler e de diversificar o que leio, assim vou conhecendo outras gentes outros lugares outras formas de sentir, foi a forma que encontrei para me sentir livre, quando estou com os livros sinto-me voar.

Mas remexendo no meu baú de memórias ( e este tempo de chuva lembra a isso,   faz-me ficar saudosa e muito melancólica ), encontrei algumas muito bonitas que me deram muito prazer recordar.

Lembrei-me da Anita de tranças loiras com uns laços brancos de bolinhas azuis nas pontas, a minha madrinha adorava estas mariquices, estava no recreio da escola a jogar a bola e a subir muros, uma atitude nada adequada para uma menina e principalmente de laços no cabelo, mas sempre fui assim, meio maria rapaz, bem era cada puxão nas tranças quando passava pelos rapazes a correr.

Lembrei-me dos bibes que a avó Mila me fazia cheios de folhinhos, sempre muito engomados, com um cheirinho a sabão, parece que ainda o sinto e o que eu adorava ir ao rio lavar roupa com a minha avó, meter-me dentro de agua, roubar a roupa a quem por lá estava, ouvia sempre ralhar, mas sabia tão bem.

O cheiro dos candeeiros de petróleo na casa da avó, as tábuas do soalho a ranger, parecia que me estavam a dar recados, o cheiro da canela do arroz doce do bolo podre, nunca mais comi nada igual.

O meu padrinho, irmão mais novo do meu pai, rapaz muito bonito, que adorava desmanchar as minhas tranças e sujar-me os bibes, quando vinha do trabalho, dar-me um abraço apertado , como ele dizia e deixar-me toda mascarrada, é serralheiro, a minha avó coitadinha bem ralhava mas de nada servia, a história era todos os dias a mesma.

Este meu tio e padrinho foi como quase todos os rapazes da altura para África, cumprir o serviço militar, foram anos de angústia para a minha querida vó Mila, lembro os serões que passamos as duas a escrever longos aerogramas, cartas que serviam para mitigar a saudade, ela ditava eu escrevia, de vez em quando tentava compor a conversa, ela dizia logo que ele assim não entendia, tinha de ser exactamente como ela dizia.

Das brincadeiras com a minha prima e a minha irmã isto nas férias grandes ela morava longe, os passeios que dávamos pela serra, moro numa zona rural, gostávamos de ir ouvir as velas dos moinhos a conversar, como dizíamos, adivinhar o que nos segredavam, inventávamos cada história. E quando íamos a casa desta prima uma autêntica aventura, o meu pai metia-nos no comboio e lá íamos todas contentes., lá chegadas lá estava o tio Serrano e a Elsa montados nas suas bicicletas a nossa espera, o meu tio era sapateiro e enquanto lá estávamos, coitado nunca sabia onde tinha as coisas, nós fazíamos do seu cantinho a nossa casa.

 

Afinal tenho muitas coisas para me recordar e partilhar convosco, um dia destes conto mais…

Recordar é mesmo viver…

 

Bjinhos

Ana



publicado por devaneiosmeus às 15:46
Ai recordar pode ser tão bom, sim...
Embora eu ñ seja mt dada a isso...
Axo q existe 1 tempo para td e há q pensar mais n presente e o q ficou pra trás ficou, sendo bom ou mau...
Mas claro q tb tenho algumas recordações inevitáveis de infância...De ser tb 1 pouco maria rapaz, de apanhar da minha mãe por passar o tempo a esmurrar os joelhos e a rasgar a roupa, td xeia d folhinhos e mariquices, poix a minha mãe axava q eu haveria de ser 1 princesa, enfim...
Mas ñ estejas melacólica, pq c tu dizes, recordar é viver :)
Bjokas sem melacolia
Madalena
apenasMadalena a 28 de Novembro de 2006 às 10:40

Sabes que ficar ou estar melancolica é um pouco a minha forma de estar, tenho quase sempre presente o que passou seja bom ou mau, tentando tirar alguma coisa de cada uma das situações, viver não é fácil para ninguém, a minha vida é diariamente uma luta comigo mesma, para encontrar dentro de mim algum equilibrio, nem sempre consigo, tenho os meus dias, recordar a minha avó e o que se relaciona com ela é voltar a um tempo muito mais fácil.
Bjinhos
Ana
devaneiosmeus a 29 de Novembro de 2006 às 10:47

mais sobre mim
Novembro 2006
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
17
18

19
21
23
25

26
28


arquivos
2010

2009

2008

2007

2006

pesquisar neste blog
 
blogs SAPO